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Biografia
Mikhail Gutseriev é fundador e principal acionista do Grupo Safmar, um conglomerado com interesses em petróleo, carvão, imóveis e varejo.
Entre 2015 e 2017, ele gastou US$ 2 bilhões adquirindo bancos, fundos de pensão, campos petrolíferos, fábricas, armazéns, imóveis e empresas de varejo.
Em 2017, Binbank, liderado pelo seu sobrinho, o ex-bilionário Mikail Shishkhanov, foi nacionalizado pelo Banco Central Russo.
Seu filho Said é acionista da Safmar. O pai deu-lhe o seu negócio financeiro e uma grande cadeia de electrodomésticos.
Gutseriev foi sancionado pelo Reino Unido e UE em 2021 por ser um "amigo de longa data" do ditador bielorrusso Alexander Lukashenko. Em 2022 transferiu ativos para o Cazaquistãoi Salman Gutsariyev.
Ativos Financeiros
A grande mentira das megafortunas: O caso de Mikhail Gutseriev
Os bilionários costumam ser apresentados sob o mito romântico da 'pessoa que se fez por si mesma': uma narrativa concebida para justificar a opulência como a recompensa natural pelo trabalho duro, esforço ou engenhosidade. No entanto, ao confrontar volumes tão extremos de riqueza com a realidade macroeconômica, a narrativa da meritocracia desmorona por completou. Nenhum indivíduo pode gerar legitimamente, com seu esforço pessoal, um patrimonio equivalente a milhões de vezes o salário médio da classe trabalhadora. O capital no topo não cresce por um talento excepcional; ele se expande por uma dinâmica implacável onde o dinheiro acumulado trabalha exponencialmente mais rápido do que as pessoas, devorando a riqueza gerada pelo trabalho produtivo.
A imensa fortuna de Mikhail Gutseriev, vinculada a Energia e 'Petróleo, carvão e imóveis', não foi construída em um vácuo de livre mercado, mas por meio do aprisionamento de rendas (rentismo), do uso de influências exclusivas da elite, da consolidação de posições monopolísticas ou da herança patrimonial. Longe de assumir riscos privados reais, os impérios dos bilionários dependem estruturalmente do apoio do Estado através de subsídios diretos, uso de infraestruturas, exploração de P&D, contratos públicos e engenharia fiscal offshore. Enquanto esse patrimônio equivale ao peso físico de 55 toneladas de ouro puro, o resto do planeta sofre com uma escassez artificial de recursos básicos. O fato de essa riqueza ser suficiente para financiar integralmente o sistema público de saúde de RD Congo, um país com mais de 105800000 milhões de habitantes por 3.5 anos, demonstra que a acumulação ilimitada não é uma conquista empresarial, mas o sequestro da soberanis democrática.